SONHOS NA CHUVA

Por Gabriela Morilia
(@gmorilia)

Água escorre pelo vidro da janela. A chuva cai lá fora. O céu cinza deixa o dia sem cor, mas com um cheiro úmido. Eu me enrosco num canto e olho para o nada. A casa é velha, tem as paredes brancas e me parece desconhecida. Aqui não é o meu lar. Como vim parar aqui? Eu não me lembro!

Um barulho como um chiado enche o ambiente, os pingos, batem insistentemente em tudo o que está lá fora. Plantas, pessoas, carros, vida. Resolvo olhar em volta. Há um colchão no canto, com cara de velho. Uma mochila jogada, com algo que eu reconheço, são minhas roupas. Eu fugi de casa? Quando?

Me levanto e abro a porta daquele quarto. Percebo que a casa é realmente muito antiga, e que eu estou sozinha. Mas por que? Há um banheiro simples e pequeno, uma sala com duas poltronas antigas, e uma mesa ao centro. Não tem tv, nem rádio. Olho para frente e vejo um cozinha apertada. Armários velhos, típicos dos anos 80 ou 90, uma mesa simples com quatro cadeiras, um fogão, uma geladeira, e a pia. Que lugar é este? Eu não me lembro de estar aqui antes.

Olho pela porta da frente, uma porta daquelas que misturam ferro e vidro, e vejo um pequeno jardim, encharcado pela chuva constante. O portão é baixo, como o muro. Lugar bucólico, simples. E eu estou aqui, ouvindo os pingos do céu caindo. Volto ao banheiro. Preciso me olhar no espelho.

Olheiras se encontram abaixo dos meus olhos, meu cabelo está extremamente oleoso e suado. O que eu andava fazendo? Olhei minhas roupas. Eram as de sempre. Calça, tênis, blusa básica e blusa de frio. Caminho até o quarto, onde acordei (eu estava dormindo?). Lá está minha mochila com minhas roupas. Não só as roupas, mas uns cadernos velhos, o celular desligado, a carteira e umas chaves. Devem ser da casa. Remexo mais um pouco e encontro uns biscoitos recheados.

Logo, me lembro que eu estou com fome, e como tudo num piscar de olhos. Depois, deito no colchão jogado no chão e deixo o som da chuva me invadir. Sinto o cheiro de terra molhada do jardim, o clima úmido, tudo sob a chuva. Nossa, como está macio… Principalmente embaixo da minha cabeça. Abro os olhos (eles estavam fechados?) e vejo que tudo mudou. Espera aí. Este é o meu quarto.

Eu estava dormindo e acordei. Acordei de um sonho chuvoso, estranho e perdido. Acho que eu finalmente havia fugido daquela cidadezinha pequena onde eu cresci… Mas só em sonho. Quem sabe um dia, na realidade.

Sorrio e viro pro lado. Quem sabe um dia…

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