O QUE EU APRENDI COM OS GATOS

Sim, acredite no clichê: eu aprendi uma das maiores lições da minha vida com o que eu tinha mais receio, GATOS. Isso mesmo, eu tinha aquele clássico discurso sobre os felinos: “gatos são preguiçosos, egoístas, não gostam de carinho, são territorialistas etc etc etc..”

Mas, por ironia do destino, eu adotei uma gata e, foi em um dia desses em que eu fiquei horas olhando para ela e não sabia de onde vinha tanto amor no meu peito, que lembrei daquele medo e vou contar para vocês a viagem que eu tive nessa reflexão (sem fumar nada, juro).

A primeira coisa que tentei entender foi de onde surgiu esse medo e não consegui lembrar em nenhum momento que pudesse ter gerado um trauma ou pavor. Aí veio a conclusão: na verdade meu medo era um preconceito fantasiado.

Era tanto o meu “medo” que quando eu viajava para a casa de uma prima, eu sempre tinha que dormir em um quarto separado onde a gata não costumava entrar (morro de dó de lembrar que, muitas vezes, trancávamos ela pra fora do quarto).

A Lila – gata da minha prima – sempre foi muito na dela, quieta e preguiçosa. Dá pra contar quantas vezes a vi andando. Pasmem, mesmo assim, eu mantinha uma boa distância dela.

Até que um dia qualquer, eu e minha prima fomos a uma festa e adivinhem…. eu dei aquele PTzão e tive que ir embora, sozinha! Calma, me levaram embora, mas fiz minha prima continuar na festa, né!

Cheguei em casa e deitei ali mesmo na sala. Quando acordei, Lila estava dormindo de carinha comigo, com uma patinha no meu rosto, como se ela estivesse cuidando de mim. Pronto, ela diminuiu ali a nossa distância. Percebi que mesmo andando pouco, ela foi cuidar de mim. E lá se foi um paradigma: uma gata preguiçosa sim, mas que gostava de fazer carinhos em bêbados, digo, humanos.

Mas a Lila não foi a única nessa missão. Teve também a Lara, gata de uma amiga que mora em outra cidade. Lara é meio antissocial, gosta de ficar no canto dela e raramente interage com as visitas. Bom, preciso dizer onde a Lara dormia toda vez que eu “pousava” na casa da minha amiga?. Inexplicavelmente, Lara sempre se esfregava na minha perna e dormia nos meus pés. Eu não insisto, “falo” com ela só quando ela está afim, caso contrário deixo-a quieta. Aprendi que posso receber seu carinho, respeitado o seu momento e, de novo, mais um paradigma indo por água abaixo: uma gata quase antissocial, mas que adora um aconchego nos pés.

Enfim, depois dessas duas figuras, passei a olhar para os gatos de uma outra forma e, embora eles tenham as características e manias específicas deles, eles me mostraram que podíamos tentar um relacionamento e eles já tinham dado o primeiro passo para isso. Agora, só dependia de mim dar uma oportunidade para conhecê-los melhor.

Foi quando eu me mudei para o meu apartamento e deixei a minha cachorra com meus pais (minha mãe e ela são muito apegadas). Minha casinha estava a coisa mais linda, mas era tão organizada e tão limpa… sem nenhuma bagunça e sem brinquedos espalhados por todo o lado. Foi quando eu decidi então adotar… SIM, UMA GATINHA.

Amélie (do “Fabuloso destino de Amélie Poulain”, meu filme preferido) chegou chegando. Primeiro porque eu queria a outra gata que a ONG havia postado foto no Facebook, mas quando eu cheguei, a gata que eu queria saiu correndo e a Meme (para os íntimos) me escalou e deitou no meu ombro. Não teve jeito, ali começava uma relação de amor infinito.

Meme me ensinou o amor em forma de carinho e a paciência em forma de cuidado. Foi preciso aprender sobre as peculiaridades dos gatos. Tive que entender o tempo dela e a respeitar o seu espaço. Quando ela quer dormir, ela simplesmente vira e vai procurar o seu cantinho para ter um bom sono.

Temos uma vida cheia de histórias incríveis e de companheirismo. Mas cada uma sabe o tempo certo da outra. Minha pequena Amélie me ensinou que gato gosta de carinho na cabeça e não na barriga como os cães.

E então aprendi que se eu trocar a palavra “gato (a)” desse texto por qualquer outro estereótipo, eu posso abrir a minha mente e dar a chance de conhecer a fundo qualquer ser, na sua mais pura essência.

Que tal tentar comigo?

Por Joyce Conde
@joyce_conde

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